Motos Clássicas 70
Passo-a-PassoHONDA CBX 1050
1979por: Ricardo Goldszmidt
Todos sabem que sou um apaixonado por esse modelo desde o seu lançamento, e de novo terei o prazer de mostrar mais uma restauração.
Será interessante acompanhar como podemos evoluir nas restaurações, seja com o auxílio de outros profissionais mais capacitados ou usando novas técnicas nunca antes utilizadas.
Desde a CBX que restaurei mostrada nesta mesma sessão (Outubro de 2003) até agora, muita coisa mudou na maneira de restaurar estas motos, aproveito a partir de agora para compartilhar com vocês estas novas técnicas.Vamos falar um pouco sobre a moto:
Pelas fotos poderão ver que a moto estava bastante honesta, nada de muito importante estava faltando e pelas fotos se observava que muitos dos parafusos vitais ainda eram os originais de fábrica - um claro sinal que a moto não passou pelas mãos de muitos "fuçânicos".
Ela funcionava relativamente bem, alguns barulhos indesejáveis no motor mas completamente imaculada na parte ciclística.
Hora de desmontar tudo e separar por grupos - Zinco, cromo, jato de areia, pintura a pó, pintura a pistola, peças que necessitam reparos, peças que irão para o lixo - toda a parte mecânica foi separada e submetida a medições pra determinar se ainda eram utilizáveis ou não - de acordo com o manual de serviço da moto.
Na desmontagem da moto deu pra perceber que as peças estavam em excelente estado, e que a moto nunca foi submetida a excessivos maus-tratos.
Algumas gambiarras e adaptações inúteis (como uma bomba elétrica de combustível) estavam presentes e foram direto pro lixo.
Peças adaptadas de outras motos (como o freio dianteiro) também se despediram ...O motor estava absolutamente imundo por dentro, revelando que os antigos donos não eram muito propensos a trocas de óleo regulares (o grande segredo pra que estes motores durem bastante).
Os carburadores estavam funcionando não sei como, tal era a sujeira presente neles.
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Hora de mexer no chicote .... um monte de emendas, alguns fios torrados, conectores de outras motos, nada que algumas horas, algumas soldas e alguns metros de fita isolante não resolvam...
Desmontagem da bomba de óleo - esta peça passa meio que despercebida pela grande maioria dos restauradores com os quais converso - no máximo eles verificam se está travada ou não, quando a desmontagem e medição é virtualmente a única garantia de que o motor não sofrerá por falta de pressão de óleo mais tarde. Se as folgas são maiores do que determina o manual, melhor jogar fora e procurar outra ... a desta moto está perfeita...
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O kit foi pra pintura (Júlio da Factor Design), não sem antes passar pelo jato de areia pra arrancar toda a massa plástica e as tintas velhas que insistem em não sair tão fácil.
A cor escolhida pelo atual dono foi preta, e na minha opinião é a cor mais bonita para esta moto.
O painel foi desmontado para limpeza dos relógios e restauração das letras dos mostradores plásticos.
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As bengalas foram alinhadas e ficaram com menos de 2 centésimos de empeno (virtualmente nada).
Ambas estão com o cromo em perfeito estado - os retentores foram trocados pelos originais Honda.
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O virabrequim foi medido e todos os colos estavam absolutamente em ordem e dentro da medida standard.
Foram retiradas as esferas que selam as passagens de óleo para limpeza.Aqui vale uma observação - quase todos acham que basta passar um arame nos colos de mancal para que o virabrequim fique limpo.
É um terrível engano, a sujeira se deposita nas passagens dos colos de mancal para os colos de biela, e quando retiramos as esferas e passamos uma escova de aço é impressionante a quantidade de sujeira que aparece.Aos que não acreditam nisso (como eu mesmo não acreditava no passado) recomendo fazer uma vez - depois que virem o tanto de sujeira que sai mudarão de opinião (como eu mudei...)
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Hora de pintar o motor...
Ele foi imerso por inteiro num decapante que arrancou toda a tinta velha - antes eu arrancava a tinta na base do pintoff e pincel, demorava uns 2 dias e fazia uma sujeira danada - , depois foi cuidadosamente lixado, empapelado e pintado.
Uma camada de verniz foi acrescentada no final.
Aproveitei também pra pintar as outras peças que são da mesma cor do motor.
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Depois que voltaram do jato de areia, as rodas foram empapeladas e os frisos reservados com fita crepe (imaginem o trabalho!) e os discos de freio idem.
As peças de alumínio foram polidas e escovadas, depois receberam uma camada de verniz para proteção.
Aproveitei pra fazer o mesmo em outras peças de meu estoque, por isso aparecem algumas peças a mais do que deveriam.
Ficaram idênticas às originais, o mais comum é vermos as peças de alumínio polidas como se fossem cromadas, eu também fazia assim no passado, mas agora mudei de opinião.
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Montei as carcaças do motor, coloquei os parafusos e dei o aperto correto com o torquímetro - tudo isso sem colocar o virabrequim e com o intuito de realizar medições de cada colo de mancal com súbito.
Desta maneira é possível ter 100% de certeza quanto às medidas de cada colo.
A marcação que vem estampada no bloco depois de mais de 20 anos e sabem-se lá quantas montagens e desmontagens não representa mais a verdade do motor.Antes eu simplesmente me baseava nas indicações de fábrica, mas agora sou mais prudente e prefiro realizar a medição em todos os colos.
As bielas também foram montadas fora do virabrequim e medidas com súbito, 4 estavam de acordo e 2 foram descartadas, usarei outras 2 do meu estoque.
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Hora de começar a montar a moto.
O quadro voltou da pintura a pó - antes eu pintava com pistola - esta pintura é muito mais resistente que qualquer pintura aplicada com pistola, e a camada de tinta é absolutamente homogênea em qualquer ponto do quadro, algo impossível de ser feito com pistola.Todas as peças metálicas, independente de seu tamanho, também foram pintadas a pó.
Novos rolamentos na caixa de direção, instalação do chicote, punhos, e todo o resto da parte elétrica.
Hora de fechar o motor...
Com muita calma pra não deixar nada pra trás.Ainda estou aguardando os cilindros e o cabeçote (ambos foram encaminhados para medição e revisão), então por enquanto só fechei a parte de baixo...
Todos os retentores foram trocados, bem como os O'rings.
Com as medidas do virabrequim, bielas e colos de mancal determinei (com ajuda do manual) quais seriam as bronzinas necessárias, só pra ter certeza usei plastigage pra conferir as medidas e todos os colos ficaram com aprox. 4 centésimos de folga (a fábrica determina de 2 a 8 centésimos de folga)
Por enquanto é isso, mandarei mais atualizações posteriormente...
10/05/05:
11/07/05:
O cabeçote voltou da revisão e troca de retentores e foi pintado.
Os instrumentos do painel também receberam tinta.
O cilindro voltou da retífica ( foram trocadas as camisas por outras feitas sob encomenda ), foi pintado e colocado no motor, que recebeu novos anéis.
Os pistões foram medidos e encontram-se dentro das medidas especificadas no manual de serviço.
Hora de colocar o cabeçote e ajustar as correntes de comando nos comandos.
Aqui vale um comentário - mais da metade das CBX que mexi até hoje estavam com os comandos montados fora de posição, e com esta não foi diferente ( O comando de exaustão estava montado 1 dente fora de posição ). É incrível a falta de preparo de certos mecânicos ...
Se você que está olhando esta matéria, tem uma CBX e acha que a mesma não está andando o que deve, peça pra seu mecânico de confiança conferir ( e te mostrar ) se os comandos estão na posição correta.
Hora de colocar o motor na moto, na verdade é colocar a moto no motor. É mais fácil posicionar a moto em cima do motor do que ficar tentando colocar o motor no lugar certo.
Hora de montar também todos os periféricos ... a moto começa a tomar forma...
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Com a moto montada começa uma série de regulagens e acertos necessários, afinal de contas esta moto foi inteiramente desmontada e todos os sistemas da moto precisam ser testados.
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A moto finalmente pronta depois de uma longa e completa restauração. Devo admitir que nem eu mesmo esperava que a moto ficasse tão bonita e tão gostosa de andar.
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